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11.2.11

Mercedes Sosa e Shakira, homenagem aos 31 anos do PT

Para os que militam no PT desde os tempos de luta contra a ditadura militar, estes 31 anos nos trouxeram grandes alegrias e algumas profundas tristezas.

Nos trouxe a alegria de termos sido a principal marca da redemocratização da sociedade brasileira que ainda precisa avançar na direção da participação e do Controle Social sobre o Estado. Mas nos trouxe a tristeza de vermos que não passamos pela necessária experiência de lidar com um Estado de tradição corrupta e assistencialista sem nos contaminar em parte.

Mas aprendemos que o PT é isso mesmo, expressão viva da contradição da cultura política popular brasileira, que ao mesmo tempo que consegue marchar firme na direção da soberania nacional, superando a - até então - impagável dívida externa e conseguir associar crescimento econômico à diminuição das desigualdades sociais inaugurando um desenvolvimento com bases sustentáveis, também tem alguns de seus membros mais confusos se conseguir se desvencilhar das armadilhas políticas e ideológicas da tradição das relações de dominação das elites conservadoras, reproduzindo a mesma prática.

Ou seja, ainda é no PT que encontramos uma das principais arenas da disputa pelo melhor que podemos projetar para a sociedade brasileira. Disputa feita de luta política e ideológica, mas sobretudo de fé e de práticas e condutas.
Por isso, em homenagem a este processo vivo de libertação e liberdade de nosso povo, é que ofereço o momento do encontro entre Mercedes Sosa e Shakira, que na fusão da suposta
contradição que representam conseguem realizar um momento glorioso contando juntas uma
canção que fala de fé na tranformação da sociedade. Vejam com atenção a letra:





A Marreta

de Silvio Rodrigues, tradução livre de João Arroyo

Se eu não acreditasse na loucura

da garganta do pássaro distante

Se não acreditasse que no monte

se esconde o silvo e o pavor

Se não acreditasse na balança

Na razão do equilíbrio

Se não acreditasse no delírio

Se não acreditasse na esperança

Se não acreditasse no que faço

Se não acreditasse em meu caminho

Se não acreditasse no que digo

Se não acreditasse no meu silêncio

O que seria, o que seria a marreta sem a pedreira?

Uma coisa feita de cordas e tendões

Uma mistura de carne com madeira

Um instrumento sem melhores pretensões

de pequenas luzes para uma cena

O que seria, coração, o que seria?

O que seria a marreta sem a pedreira?

Seria um traidor dos aplausos

Um servidor do passado em roupa nova

Um adorador de deuses cadentes

Glória cozida em trapos e lantejoulas

O que seria, coração, o que seria?

O que seria a marreta sem a pedreira?

O que seria, coração, o que seria?

O que seria a marreta sem a pedreira?

Se não acreditasse no mais duro

Se não acreditasse no desejo

Se não acreditasse no que creio

Se não acreditasse em algo puro

Se não acreditasse em cada ferida

Se não acreditasse no que busquei

Se não acreditasse no que esconde

tornar-se irmãos nesta vida

Se não acreditasse nos que me escutam

Se não acreditasse no que dói

Se não acreditasse no que fica

Se não acreditasse nos que lutam

O que seria, o que seria da marreta sem a pedreira?

Uma coisa feita de cordas e tendões

Uma mistura de carne com madeira

Um instrumento sem melhores pretensões

De pequenas luzes montadas para uma cena

O que seria, coração, o que seria?

O que seria a marreta sem a pedreira?



2 comentários:

Xico Rocha disse...

Amigo, sinsonte é uma ave que em Porto Rico tem um valor inimaginável no que tange a LIBERDADE.
Todos os que almejam Porto Rico Livre e independente fazem o paralelo con el sinsonte.
O cantor "REBELDE" de Porto Rico Andrés Jimenes usa el sinsonte em váriuas de suas composições em alegoria ao sonho de liberdade

Professor Arroyo disse...

Xico, seu socorro veio em hora muitíssimo oportuna. Eu sabia que era um pássaro, mas não seu simbolismo. Muito obrigado e grande abraço.