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4.2.11

De volta ao futuro, análise de Paulo Weyl sobre a derrota do PT no Pará.


Caros amigos

Em minhas trocas de emails com o Arroyo, tenho escrito algumas palavras soltas sobre a avaliação da derrota do PT, sempre insistindo que as avaliações correntes tem sido cegas e pautadas pela mídia anti petista.

Acabo de ler uma nota no BLog do Marcelo Marques, o Bacana, que tenho por razoável, em vista do caráter informativo e neutral de seus posteres. Para mim, esse tipo de informação,não carregada de avaliações, por vezes facilita a observação dos processos.

Diz o Blog:
“Entenda os motivos
O PMDB abrindo mão de fazer o presidente da Alepa, prova que confia plenamente em Jatene.
Mas de onde vem essa confiança ?
Do passado, recente esse passado.
Nele houve a costura dos nomes ao Senado, quando o PSDB não abriu espaço para mais ninguém além de Flexa, e também quando Jader abriu mão de sua candidatura ao Governo, facilitando assim a vida de Jatene.
Vem daí essa confiança, o PMDB fez sua parte antes das eleições, em uma engenharia política brilhante que, pelo menos facilitou a vida eleitoral do PSDB.
É só olhar mais atentamente para ver o quadro.
E o PMDB fez sua parte antes.
Hoje o Governo faz a sua”.

Retomo:
Impressionante a cegueira do PT em perceber realmnete a dimensão da disputa em que esteve envolvido.
É importante revelar o proceso eleitoral em todas suas conexões. A avaliação que o PT, por todos os seus próceres, mesmos os mais articulados, tem realizado, não alcançam identificar o papel desempenhado pelo PMDB, mais especificamente, por Jader Barbalho, na construção da deerrota de Ana e na consolidação de Jatene.
Sem perceber isso, o PT vai continuar patinando numa avaliação inteiramente pautada pela mídia antipetista.
3 equivocos da relação PT x PMDB
1. O quivoco do PT. Partido errou na condução das alianças para a governabilidade, desde o primeiro momento.
No primeiro momento, errou ao entregar ao PMDB um número expressivo de Secretarias;
Errou por que, dentre elas entregou Secretarias como a da Saúde, setor público no qual o Partido tem notória competência e tecnicos da mais alta qualidade nacional e internacional. Assim, já na negociação da composição, declinamos de tentar efetivar uma política pública de mais alto impacto no Estado. E, ainda mais, num setor onde o PSDB havia logrado impacto positivo, com a construção de hospitais públicos em funcionameno e em vias de conclusão.
Erramos também quando o governo praticou o esvasiamento de órgãos, como o fez na SEOB,por exemplo. Isso a nada leva do ponto de vista do pacto. Ao contrário, desmotiva a artuiculação na proporção direita da dverdadeira desmoralização do titular do órgão, conhecido então como um Secretário sem poder, sem verbas.
Erramos ainda porque essa composição com o PMDBfoi atabalhoada, permitindo que o lider do PMDB afirme que acordos como o da SESPA, por exemplo, não constituiam acordos com o PMDB, mas com o candidato derrotado, o hoje Dep. Priante.
E, pior de tudo, é o que se diz, o titular dessa composição, depois de ter saido do Governo, ainda hoje é reconhecido como o grande articulador do govero. Depois de toda essa sorte de lambanças, que coisa!

2. Certamente as distintas tendências do PT resistem a observar esses movimentos por razões diversas. Os ligados à maioria do Partido, porque buscaram a parceria com Jader e não podem, agora, creditar parte da derrota eleitoral aos movimentos de um "aliado", do que consideravam aliado.

3. O grupo próximo à Governadora manteve com o PMDB, dentro e fora de governo, uma relação de disputa aberta. Essa tensão política foi também uma tensão de governo. Marcou uma disputa na administração. Não seria correto, do ponto de vista ético, afirmar que esse conflito foi responsável por verdadeira paralisia do governo nas áreas como a saude, por exemplo. Mas é correto afirmar algo próximo a isso, que a paralisia de setores como a da saúde, por exemplo, foi atribuida publicamente à luta fratricida por espaços na administração.
De toda sorte, o Gabinete de Governo ficou na indefinição entre romper com aquele pacto (já roto, é verdade) e , conflagada a situação, recompor as condições de governabilidade, e manter aquela situação insustentável.
A solução de governo foi a pior de todas: a falta de resolução. No governo, afirmo, sem medo de errar, a inércia é a pior de todas as ‘medidas’.

Por fim, quero expressar, com todo o respeito e carinho que devo, um equívoco de natureza política e ideológica de nossa Governadora. Essa inércia política evidencia que a governadora não prestigiou sua posição republicana, deixando-se imobilizar por indecisões de terceiros. O gabinete não é do Partido, nem de tendência. Na República, o Gabinete é do Governante que tem o dever de assumir as responsabilidades. Talvez a Governadora não tenha tido claro que a orientação socialista não pode superar à realidade republicana, o que desautoriza um governante, qualquer que seja, "dividir" o poder. O Governante tem obrigação de ouvir. Mas, mais ainda, tem obrigação de decidir.

A condução política da relação do governo com o ‘aliado’ PMDB não foi capaz de perceber a tempo que Jader urdia a candidatura de oposição. E essa cegueria, seguramente, foi uma das responsaveis pela derrota eleitoral.

O quadro eleitoral não foi pior, a alinaça a candidatura de Jatene apoiado na coligação PMDB–PSDB, por interferência direta do Planalto, pois tal configuração turbinaria a candidatura de José Serra por essas bandas, com possíveis repercussões em outros Estados.

Penso que seja importante refletirmos sobre isso. No Pará, esse realinhamento aproxima forças que na realidade sempre estiveram do mesmo lado. Digamos,pois, que foi um realinhamento quase natural. Mas não é isso o que importa para compreender uma derrota num contexto político. O que justifica uma avaliação é a percepção dos equívocos, da inércia em aprofundar a aliança, contextualizando os novos espaços do PMDB na antiga gestão, ou de aprofundar a ruptura, partindo para a disputa aberta, política pública, com o ex-aliado.

Não fizemos nem uma coisa nem outra e perdemos na política.
Paulo Weyl

Um comentário:

mauricio leal dias disse...

O Prof. Paulo Weyl, foi muito feliz em destacar a inércia decisória como um dos fatores determinantes para a derrota eleitoral. Isso possivelmente confirma uma das minhas teses, de que nem todo político com ampla bagagem parlamentar como é o caso da Ana Júlia será também um executivo. O que muito me preocupou durante esse governo é que o projeto político do partido dos trabalhadores para a Amazônia, fruto de todo um acumulo de lutas foi muito pouco aproveitado, o governo não tinha identidade definida, começou como terra de direito e terminou copiando o slogan do PAC. A trajetória a ser feita para recolocar o PT no Pará novamente no governo do Estado poderá ser muito longa.
Mauricio Leal Dias
http://juscidade.blogspot.com