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14.2.11

PT 31 anos, opção pela maturidade criativa – contribuição ao aprofundamento do debate

PT 31 anos, opção pela maturidade criativa – contribuição ao aprofundamento do debate

O encontro estadual do PT no Pará, realizado neste 12 de fevereiro no Hotel Beira-Rio em Belém, decepcionou as forças políticas que, de dentro e de fora do partido, esperavam a consumação de uma batalha de acusações fratricidas que reduzisse o PT no Pará, mais uma vez, ao gueto de sua própria fraqueza e incompetência.

É verdade que blogueiros petistas ainda não entenderam que o PT perde na sociedade quando tentam retratar o encontro reduzindo o riquíssimo debate travado à algo como “água com açúcar”. Mas também vimos o Bacana assumir de vez sua face PMDB quando em um mesmo texto argumenta que o PT minimizou os problemas que o levaram à derrota em 2010 para em seguida dizer que todos os problemas foram levantados e que, na versão dele ou de sua fonte tendenciosa, se centrou nas falhas de pessoas específicas principalmente por não ter priorizado o PMDB na aliança e ainda apresentou uma lista de nomes que teriam sido levantados no encontro como possíveis candidatos à prefeitura de Belém.

Bem, eu estava lá. O debate foi duro mas respeitoso, tudo que colocaram nos documentos veio à tona, e sem tirar a culpa de ninguém também foi consenso que há erros que são recorrentes inclusive na gestão do próprio partido, assim como nas demais prefeituras petistas e que precisam ser corrigidos coletivamente.

Um debate que nenhum outro partido tem a coragem de fazer e, principalmente, torná-lo transparente para que a sociedade veja que somos apenas seres humanos. Erramos, aprendemos e corrigimos em um processo em que uns cobram dos outros de igual para igual, sem a hierarquia dos partidos que possuem donos e coronéis.

A resolução do encontro, que pode ser encontrada no site www.pt-para.org.br , surpreende pela maturidade de seus termos. Não por botar “panos quentes” nos erros que nos levaram à fragorosa derrota de 2010, mas por pontuá-los como desafios a superar sem comprometer as significativas conquista que o governo coordenado pelo PT deixou para a sociedade, com destaque para as políticas de ciência, tecnologia e inovação, que com a atração da siderúrgica de Marabá, de projetos como o do Biodiesel e da fábrica de chocolate, colocou em prática um modelo de desenvolvimento apoiado na agregação de valor aos produtos industrializados e no fortalecimento da economia local em torno de cada grande projeto que certamente renderá à população do estado novas oportunidades de emprego e renda e um novo padrão no posicionamento econômico do Pará no cenário nacional e internacional.

Mas as maiores surpresas do encontro ficaram por conta das autocríticas expressas por Ana Júlia e Paulo Rocha, tanto na dimensão dos equívocos na condução política do partido, do governo e da campanha o que, pela primeira vez, fez com que os erros nos unificassem em torno do desafio de superá-los, o que ainda colocará a todos e todas do partido em duras provas de competência e sabedoria política, em um processo que está apenas começando.

A resolução do encontro aponta como tarefas estratégicas a preparação política do partido para enfrentar as disputas de 2012 e 2014, mas trata dos problemas na dimensão estrutural, na perspectiva da realização do objetivo maior do PT que é a conquista democrática da livre opção da sociedade por valores e condutas coerentes com uma sociedade socialista.

Nos próximos dias, abordarei os temas que julgo serem os centrais para que o PT recrie-se a si mesmo no Pará, retomando o rumo que se mantém anunciado em seus documentos de fundação e em suas elaborações de conjuntura nacional recentes. Os temas serão os seguintes:

  • O PT, tendências internas e suas relações com a Sociedade, o Estado e os Governos
  • A relação entre a Técnica e a Política, o papel dos intelectuais
  • A questão da ética e o combate à corrupção como missão partidária
  • O desafio da democracia participativa e do Controle Social
  • O desafio da democracia econômica e a Economia Solidária

Temos, portanto, muito trabalho e um longo caminho pela frente. Mas um caminho que quem faz é a gente.

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11.2.11

Mercedes Sosa e Shakira, homenagem aos 31 anos do PT

Para os que militam no PT desde os tempos de luta contra a ditadura militar, estes 31 anos nos trouxeram grandes alegrias e algumas profundas tristezas.

Nos trouxe a alegria de termos sido a principal marca da redemocratização da sociedade brasileira que ainda precisa avançar na direção da participação e do Controle Social sobre o Estado. Mas nos trouxe a tristeza de vermos que não passamos pela necessária experiência de lidar com um Estado de tradição corrupta e assistencialista sem nos contaminar em parte.

Mas aprendemos que o PT é isso mesmo, expressão viva da contradição da cultura política popular brasileira, que ao mesmo tempo que consegue marchar firme na direção da soberania nacional, superando a - até então - impagável dívida externa e conseguir associar crescimento econômico à diminuição das desigualdades sociais inaugurando um desenvolvimento com bases sustentáveis, também tem alguns de seus membros mais confusos se conseguir se desvencilhar das armadilhas políticas e ideológicas da tradição das relações de dominação das elites conservadoras, reproduzindo a mesma prática.

Ou seja, ainda é no PT que encontramos uma das principais arenas da disputa pelo melhor que podemos projetar para a sociedade brasileira. Disputa feita de luta política e ideológica, mas sobretudo de fé e de práticas e condutas.
Por isso, em homenagem a este processo vivo de libertação e liberdade de nosso povo, é que ofereço o momento do encontro entre Mercedes Sosa e Shakira, que na fusão da suposta
contradição que representam conseguem realizar um momento glorioso contando juntas uma
canção que fala de fé na tranformação da sociedade. Vejam com atenção a letra:





A Marreta

de Silvio Rodrigues, tradução livre de João Arroyo

Se eu não acreditasse na loucura

da garganta do pássaro distante

Se não acreditasse que no monte

se esconde o silvo e o pavor

Se não acreditasse na balança

Na razão do equilíbrio

Se não acreditasse no delírio

Se não acreditasse na esperança

Se não acreditasse no que faço

Se não acreditasse em meu caminho

Se não acreditasse no que digo

Se não acreditasse no meu silêncio

O que seria, o que seria a marreta sem a pedreira?

Uma coisa feita de cordas e tendões

Uma mistura de carne com madeira

Um instrumento sem melhores pretensões

de pequenas luzes para uma cena

O que seria, coração, o que seria?

O que seria a marreta sem a pedreira?

Seria um traidor dos aplausos

Um servidor do passado em roupa nova

Um adorador de deuses cadentes

Glória cozida em trapos e lantejoulas

O que seria, coração, o que seria?

O que seria a marreta sem a pedreira?

O que seria, coração, o que seria?

O que seria a marreta sem a pedreira?

Se não acreditasse no mais duro

Se não acreditasse no desejo

Se não acreditasse no que creio

Se não acreditasse em algo puro

Se não acreditasse em cada ferida

Se não acreditasse no que busquei

Se não acreditasse no que esconde

tornar-se irmãos nesta vida

Se não acreditasse nos que me escutam

Se não acreditasse no que dói

Se não acreditasse no que fica

Se não acreditasse nos que lutam

O que seria, o que seria da marreta sem a pedreira?

Uma coisa feita de cordas e tendões

Uma mistura de carne com madeira

Um instrumento sem melhores pretensões

De pequenas luzes montadas para uma cena

O que seria, coração, o que seria?

O que seria a marreta sem a pedreira?



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10.2.11

Sessão do Desapego, a Economia Solidária acontece


Mais uma experiência prática de Economia Solidária vem se firmando em Belém. É a Sessão do Desapego que terá sua 3ª edição neste sábado, às 15hs na Casa 252 que fica na Alameda Paulo maranhão na Gentil entre 14 de março e Alcindo Cacela.

Trata-se de uma feirinha de trocas solidárias, a primeira de Belém, que prova que basta querer pra gente fazer uma nova economia, humanizando as relações

comerciais, fazendo com que as pessoas vivenciem a verdadeira riqueza que é, e sempre foi, a solidariedade, mas que em função da ideologia capitalista, ficou obscurecida pela lógica da acumulação material e individual de bens e benefícios.

Segundo os jovens organizadores, Bernardo e Mariana, a “ proposta da Sessão do Desapego é estabelecer um espaço de encontro, onde se desapegar é a palavra de ordem. Um jeito de encontrar e disponibilizar coisas legais que já não nos servem e que podem chegar a novos donos, para novos usos. Aquele bom livro, um filme inesquecível, roupas e sapatos dos quais cansamos. A idéia é fazer produtos, que estão entulhando no fundo do armário, circularem e acharem novos espaços onde sejam bem melhor aproveitados. Nessa roda você pode, de um jeito simples, rever utilidades, circular utilitários e achar ótimos usos: deixando o que já tenha utilizado (se Desapegando!) e pegando o que lhe interesse de alguma maneira. Praticando o Desapaego, entramos em uma lógica de consumo mais sustentável, gastamos menos e ainda conhecemos melhor outras pessoas, seus produtos e suas histórias.”

Neste sábado, além da feira de trocas solidárias, haverá oficina de caricaturas, oficina de máscaras e o Improvídeo. Participe!

Agora é com você. Entre no site www.deixapega.com.br e faça seu cadastro. Ou, se comunique com os organizadores pelo email deixapega@gmail.com

O Fórum Paraense de Economia Solidária e o Instituto Saber Ser apóiam o evento.

Ah! Clique aqui e veja a lição de Balú.

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8.2.11

Veja o Documentário: Comprar, descartar, comprar. A obsolescência planejada




Imperdível, do site WWW.fbes.org.br

...

Baterias que "morrem" em 18 meses de uso; impressoras bloqueadas ao alcançar um determinado número de impressões; lâmpadas que derretem às mil horas... Por que, apesar dos avanços em tecnologia, os produtos de consumo duram cada vez menos?

Filmado na Catalunha, França, Alemanha, Estados Unidos e Gana, “Comprar, descartar, comprar” faz uma viagem através da história de uma prática empresarial que consiste na redução deliberada da vida útil de um produto, para aumentar o seu consumo pois, como publicado em 1928 em uma influente revista de publicidade estadunidense, “um artigo que não se deteriora é uma tragédia para os negócios."

O documentário, dirigido por Cosima Dannoritzer e co-produzido pela TV espanhola, é o resultado de três anos de pesquisa; faz uso de imagens de arquivo pouco conhecido, fornece provas documentais e mostra as desastrosas conseqüências ambientais decorrentes dessa prática. Também apresenta vários exemplos do espírito de resistência que está crescendo entre os consumidores, e inclui a análise e opinião de economistas, designers e intelectuais que propõem alternativas para salvar a economia e o meio ambiente.


Uma “luz” na origem da obsolescência planejada

Tomas Edison fez a sua primeira lâmpada em 1881. Durou 1.500 horas. Em 1911, um anúncio na imprensa espanhola destacou os benefícios de uma marca de lâmpadas com um certificado de duração de 2.500 horas. Mas, como foi revelado no documentário, em 1924 um cartel que reunia os principais fabricantes na Europa e os Estados Unidos negociaram para limitar a vida útil de uma lâmpada elétrica à 1.000 horas. O cartel foi chamado “Phoebus” e, oficialmente, nunca existiu, mas, em “Comprar, descartar, comprar” é mostrado o ponto de partida de obsolescência planejada, que hoje é aplicado a produtos eletrônicos de última geração, como impressoras e iPods, e aplicada também na indústria têxtil.

Consumidores rebeldes na era da Internet

Ao longo da história do “vencimento previsto”, o filme descreve um período da história da economia nos últimos cem anos e mostra um fato interessante: a mudança de atitude nos consumidores, através do uso de redes sociais e da Internet. O caso dos irmãos Neistat, do programador de computador Vitaly Kiselev, e do catalão Marcos López demonstram isso.

África, aterro eletrônico do Primeiro Mundo

Este uso e descarte constantes têm graves conseqüências ambientais. Como vemos nesta pesquisa, países como o Gana estão se tornando a lixeira eletrônica do Primeiro Mundo. Até então, periodicamente, centenas de containers chegam cheios de resíduos, sob o rótulo de "material de segunda mão", e, eventualmente, tomar o lugar de rios ou campos onde as crianças brincam.

Além da denúncia, o documentário dá visibilidade aos empresários que implementam novos modelos de negócio, e ouvem as alternativas propostas por intelectuais como Serge Latouche, que fala sobre empreender a revolução do “decrescimento”, a redução do consumo e a produção para economizar tempo e desenvolver outras formas de riqueza, como a amizade ou o conhecimento, que não se esgotam ao usá-los.

Clique aqui para ver o Documentário “Comprar, descartar, comprar”:

ou use a url = http://www.youtube.com/watch?v=QosF0b0i2f0&feature=player_embedded#!

Aqui tudo parece
Que era ainda construção
E já é ruína

Tudo é menino, menina
No olho da rua
O asfalto, a ponte, o viaduto
Ganindo prá lua
Nada continua...

E o cano da pistola
Que as crianças mordem
Reflete todas as cores
Da paisagem da cidade
Que é muito mais bonita
E muito mais intensa
Do que no cartão postal...

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial...

(Caetano Veloso – Fora de ordem)


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7.2.11

Dois Lutadores magníficos e um aprendizado


Do amigo, mestre de Karatê e escritor José Vieira


Lá estava, eu, e meus amigos karatecas. Todos esperando por uma luta
singular, entre dois grandes campeões; sabíamos que para o Victor Belfort, essa luta, era uma luta de vida ou morte, conforme a moda dos samurais. Mas sabíamos também que: o Anderson Silva nessa luta precisava mostrar para o mundo, por que é considerado o melhor lutador da atualidade. A luta começou, o bio-tipo físico de cada um, já dizia tudo... Gordura zero, eles treinaram muito... Muito... Muito. O Juiz deu autorização para iniciar o combate, os primeiros minutos foram marcados por um combate mental, os dois se estudando, procurando encontrar uma brecha na guarda do outro, mas os dois titãs, não abriam suas guardas e, assim, o ataque tão esperado não surgia. O Victor com sua incrível velocidade partiu para cima, buscando quebrar a guarda do Anderson, e, quase conseguia, depois de um rápido troca-troca. Mas essa investida tão rápida do Victor, não lhe deu tempo de embainhar totalmente sua espada, e, o Anderson Silva que se encontrava em estado de vazio total, conseguiu
perceber este pequenino detalhe. (detalhe este, que para maioria dos lutadores não conseguem enxergar) E ai, pudemos então assistir a um golpe magnífico, magistral, perfeito... No karate tem um nome de "Mae-Geri" golpe frontal. Muito aplicado a altura média, 99,9% visa a barriga, e quase sempre vem acompanhado por um soco que complementa este golpe. Raríssimo, se ver alguém chutar no rosto utilizando esse golpe. Mas ai, é que está à diferença, entre o Anderson Silva e os demais lutadores que aplicam esse golpe (eu me incluo no meio), somente um gênio poderia aplicar com tanta maestria e, como diz meu amigo que me enviou um correio, o qual estou comentando, ele nos relata que o golpe foi:O chute foi um movimento plástico espetacular, certeiro, com uma precisão milimétrica, "cirúrgico", algo extraordinário. O Magnífico Anderson, não precisou desferir nem um soco contínuo, para acompanhar seu mortal golpe. Em estado de Zan-Shin, embainhou sua espada e assistiu seu oponente desabar, cair aos seus pés, já cortado pela sua espada afiadíssima -
Mas uma vez, sua mente vazia por completa, observou, mas um pequenino detalhe, o magistral golpe não tinha demolido totalmente seu oponente e, na fração de segundo que se segue entre a observação e sua visão, ele saca duas espadas espetaculares e com dois golpes que se funde em um só, por tão grande velocidade que são desferidos, capitula seu já desacordado desafiante.
Assistimos a seguir, não gritos de vitórias, mas, há um belo espetáculo, o Campeão como coração possuído pelo espírito de "Cocoro", coração magnânimo, ajoelha-se na frente do seu adversário e, o cumprimenta respeitosamente, valorizando sua vitória e também a derrota do seu adversário, pois ele sabe que esteve frente a frente com um grande adversário, pois assim como ele o venceu, também poderia ser derrotado, que os ensinamentos de tão belo combate, vão lhe servir para sempre, na longa senda da vida. Observção: Amigos tenham sempre em mente este coração magnânimo, tão bem demonstrado, por este autentico Samurai "Anderson Silva", que mesmo com tão importante vitória, não demonstrou nenhum ato de orgulho ou soberba.

Abraços, José Vieira
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4.2.11

Educação é onde o investimento público gera maior crescimento do PIB, diz IPEA


No ranking dos investimentos públicos que mais dão retorno para o crescimento do PIB, o primeiro lugar é da Educação onde, para cada 1 real investido, 1,85 reais são acrescidos ao PIB. Seguido da Saúde, que a cada 1 real investido, gera 1,70 de retorno. Os investimentos públicos em atividades tradicionalmente valorizadas economicamente como infraestrutura e exportação, geram em média 1,57 reais de retorno para cada 1 real público investido. Precisa dizer mais?

Veja os detalhes aqui e aqui também


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De volta ao futuro, análise de Paulo Weyl sobre a derrota do PT no Pará.


Caros amigos

Em minhas trocas de emails com o Arroyo, tenho escrito algumas palavras soltas sobre a avaliação da derrota do PT, sempre insistindo que as avaliações correntes tem sido cegas e pautadas pela mídia anti petista.

Acabo de ler uma nota no BLog do Marcelo Marques, o Bacana, que tenho por razoável, em vista do caráter informativo e neutral de seus posteres. Para mim, esse tipo de informação,não carregada de avaliações, por vezes facilita a observação dos processos.

Diz o Blog:
“Entenda os motivos
O PMDB abrindo mão de fazer o presidente da Alepa, prova que confia plenamente em Jatene.
Mas de onde vem essa confiança ?
Do passado, recente esse passado.
Nele houve a costura dos nomes ao Senado, quando o PSDB não abriu espaço para mais ninguém além de Flexa, e também quando Jader abriu mão de sua candidatura ao Governo, facilitando assim a vida de Jatene.
Vem daí essa confiança, o PMDB fez sua parte antes das eleições, em uma engenharia política brilhante que, pelo menos facilitou a vida eleitoral do PSDB.
É só olhar mais atentamente para ver o quadro.
E o PMDB fez sua parte antes.
Hoje o Governo faz a sua”.

Retomo:
Impressionante a cegueira do PT em perceber realmnete a dimensão da disputa em que esteve envolvido.
É importante revelar o proceso eleitoral em todas suas conexões. A avaliação que o PT, por todos os seus próceres, mesmos os mais articulados, tem realizado, não alcançam identificar o papel desempenhado pelo PMDB, mais especificamente, por Jader Barbalho, na construção da deerrota de Ana e na consolidação de Jatene.
Sem perceber isso, o PT vai continuar patinando numa avaliação inteiramente pautada pela mídia antipetista.
3 equivocos da relação PT x PMDB
1. O quivoco do PT. Partido errou na condução das alianças para a governabilidade, desde o primeiro momento.
No primeiro momento, errou ao entregar ao PMDB um número expressivo de Secretarias;
Errou por que, dentre elas entregou Secretarias como a da Saúde, setor público no qual o Partido tem notória competência e tecnicos da mais alta qualidade nacional e internacional. Assim, já na negociação da composição, declinamos de tentar efetivar uma política pública de mais alto impacto no Estado. E, ainda mais, num setor onde o PSDB havia logrado impacto positivo, com a construção de hospitais públicos em funcionameno e em vias de conclusão.
Erramos também quando o governo praticou o esvasiamento de órgãos, como o fez na SEOB,por exemplo. Isso a nada leva do ponto de vista do pacto. Ao contrário, desmotiva a artuiculação na proporção direita da dverdadeira desmoralização do titular do órgão, conhecido então como um Secretário sem poder, sem verbas.
Erramos ainda porque essa composição com o PMDBfoi atabalhoada, permitindo que o lider do PMDB afirme que acordos como o da SESPA, por exemplo, não constituiam acordos com o PMDB, mas com o candidato derrotado, o hoje Dep. Priante.
E, pior de tudo, é o que se diz, o titular dessa composição, depois de ter saido do Governo, ainda hoje é reconhecido como o grande articulador do govero. Depois de toda essa sorte de lambanças, que coisa!

2. Certamente as distintas tendências do PT resistem a observar esses movimentos por razões diversas. Os ligados à maioria do Partido, porque buscaram a parceria com Jader e não podem, agora, creditar parte da derrota eleitoral aos movimentos de um "aliado", do que consideravam aliado.

3. O grupo próximo à Governadora manteve com o PMDB, dentro e fora de governo, uma relação de disputa aberta. Essa tensão política foi também uma tensão de governo. Marcou uma disputa na administração. Não seria correto, do ponto de vista ético, afirmar que esse conflito foi responsável por verdadeira paralisia do governo nas áreas como a saude, por exemplo. Mas é correto afirmar algo próximo a isso, que a paralisia de setores como a da saúde, por exemplo, foi atribuida publicamente à luta fratricida por espaços na administração.
De toda sorte, o Gabinete de Governo ficou na indefinição entre romper com aquele pacto (já roto, é verdade) e , conflagada a situação, recompor as condições de governabilidade, e manter aquela situação insustentável.
A solução de governo foi a pior de todas: a falta de resolução. No governo, afirmo, sem medo de errar, a inércia é a pior de todas as ‘medidas’.

Por fim, quero expressar, com todo o respeito e carinho que devo, um equívoco de natureza política e ideológica de nossa Governadora. Essa inércia política evidencia que a governadora não prestigiou sua posição republicana, deixando-se imobilizar por indecisões de terceiros. O gabinete não é do Partido, nem de tendência. Na República, o Gabinete é do Governante que tem o dever de assumir as responsabilidades. Talvez a Governadora não tenha tido claro que a orientação socialista não pode superar à realidade republicana, o que desautoriza um governante, qualquer que seja, "dividir" o poder. O Governante tem obrigação de ouvir. Mas, mais ainda, tem obrigação de decidir.

A condução política da relação do governo com o ‘aliado’ PMDB não foi capaz de perceber a tempo que Jader urdia a candidatura de oposição. E essa cegueria, seguramente, foi uma das responsaveis pela derrota eleitoral.

O quadro eleitoral não foi pior, a alinaça a candidatura de Jatene apoiado na coligação PMDB–PSDB, por interferência direta do Planalto, pois tal configuração turbinaria a candidatura de José Serra por essas bandas, com possíveis repercussões em outros Estados.

Penso que seja importante refletirmos sobre isso. No Pará, esse realinhamento aproxima forças que na realidade sempre estiveram do mesmo lado. Digamos,pois, que foi um realinhamento quase natural. Mas não é isso o que importa para compreender uma derrota num contexto político. O que justifica uma avaliação é a percepção dos equívocos, da inércia em aprofundar a aliança, contextualizando os novos espaços do PMDB na antiga gestão, ou de aprofundar a ruptura, partindo para a disputa aberta, política pública, com o ex-aliado.

Não fizemos nem uma coisa nem outra e perdemos na política.
Paulo Weyl
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1.2.11

11,5% dos deputados que tomam posse hoje, respondem a processos na justiça




Mas em 2007 eram 74 processados ou investigados. Agora são 59 deputados, respondendo a 92 processos onde se encontram 125 acusações. Em média mais de duas por réu o que indica recorrência de supostas práticas delituosas.

O povo do Pará ajudou com 4 e está no TOP FIVE (BA= 7, SP= 7, MG=5, PA=4 e MT= 3), mas considerando a proporcionalidade federativa, dos cinco seria o primeiro lugar.

Entre os partidos temos: PR= 9, PMDB= 8, PP= 7, DEM= 6, PDT= 5, PT= 5, PTB= 4, PSDB, PSB e PSC, cada um com 3, PRB= 2 e PPS, PMN, PCdoB e PRP, cada um com 1.

Detalhando as 125 acusações, vemos que 25 são relativas à crime de opinião ou crime eleitoral que envolvem disputas políticas, o que não diminui a qualidade de crime, se comprovada.

No entanto, 73 são acusações de crimes contra o erário público e, pior, 27 acusações de crime contra a pessoa ou peculato, onde se inscrevem falsificações, promoção de escravidão, crime ambiental, seqüestro, cárcere privado, lesão corporal e até homicídio. Se ainda parte significativa da sociedade não tem nisso, base para seus critérios de voto, onde vamos parar se não fizermos nada?

Veja a matéria completa no G1, clicando no nariz do palhaço ou aqui mesmo.


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30.1.11

Tudo que é sólido desmancha no ar... literalmente




Refletindo sobre o desabamento do prédio Real Class, neste fatídico 29 de janeiro de 2011 – mais uma vez o 11... – e tendo chegado ao cúmulo de ficar feliz porque aconteceu antes que meu primo Beto se mudasse para lá, onde comprara um apartamento no 30° andar, caí em mim e conversando com amigos acho que dá para entender o porquê das coisas.
Antes de mais nada vale o registro da reação da grande imprensa. Além de se aproveitar comercialmente da tragédia, também se preocupou com seu anunciante, mais uma vez em detrimento de seu leitor.





Quem me chamou atenção disso foi o jovem David Carneiro, que brilhante e crítico registrou a primeira manchete do grupo ORM “Chuva provoca desabamento em Belém” – ou mais ou menos isso (ele vai postar isso no blog dele o tribunadodavi.blogspot.com). Ora, se chuva for motivo de desabamento de prédio em Belém, estamos todos soterrados e não sabemos. Pode parecer mero surto de inveja dos jornais cariocas diante do faturamento com o desastre que as chuvas provocaram no Rio de Janeiro, já que aqui chove muito mais. Mas é flagrante a imediata tentativa desvia o foco da responsabilidade da construtora e dos agentes públicos que deveriam fiscalizar a obra.
Depois foi a vez do Diário do Pará, que animado pela acirrada concorrência, não quis perder nem no item “publicação de manchetes absurdas” e estampou “Falha geológica pode ter causado desabamento”, dando crédito técnico ao engenheiro calculista da obra que, na verdade, o único cálculo que estava fazendo era de como tirar o “seu” da reta... Aí eu me lembrei que sou geólogo. E mesmo um não praticante, como eu, sabe que estamos em uma bacia sedimentar recente onde isso não ocorre. Além disso, como uma falha geológica, quase sempre quilométrica, poderia ocorrer e “vitimar” por sorteio apenas uma edificação???
Na verdade, mais uma vez o anunciante venceu o leitor que pensa que paga para ser informado do que acontece, quando na verdade está pagando para ser formatado segundo interesses de outros, com recursos econômicos para isto.





Então o que é mais provável que tenha acontecido?
Minha suposição é que como qualquer construção, mesmo um prédio, não é feito só de cimento, tijolo, vergalhão e outros materiais visíveis. O Real Class, também é produto de uma construção que envolve valores morais e éticos, práticas sociais e políticas determinadas por relações econômicas e toda uma cultura introjetada na sociedade pelo nosso “modo de produção” que na verdade é o nosso modo de vida.
Portanto, é mais provável que tenha ocorrido a combinação de fatores como:
1) A busca irracional pelo rebaixamento do custo dos produtos que campeia as metas de rentabilidade estabelecidas pelos capitalistas, sem que isso se converta em vantagem econômica para os consumidores, levando a matérias primas de menor qualidade; redução da compra do volume de materiais necessários; contratação de mão-de-obra cada vez mais barata e, por isso, quase sempre menos qualificada; diminuição do número de trabalhadores, sobrecarregando os que são contratados e por aí vai.
2) A formação cultural dos consumidores que, fora o preço, não se organizam para cuidar dos itens acima, boiando entorpecidos na maré das fantasias e lacunas emocionais calculadamente trabalhadas psicologicamente pelo marketing e pela compreensão edonista de que a felicidade é proporcional ao conforto material.
3) A estrutura pública que o contribuinte sustenta com o pagamento de seus impostos diretos e indiretos, supondo que paga para que esta estrutura o proteja, quando, na verdade, paga para que os outros, aqueles que têm pode econômico, possam usufruir benesses e vantagem sobre os contribuintes pela cultura da corrupção que supostamente pode fazer com que eventualmente desde o fiscal até o gestor maior sirvam não a todos os cidadãos, mas aqueles que os “gratificam” por fora de seus salários, criando na prática cidadãos com níveis de exercício de direitos proporcionais a sua posição econômica.
4) A formação cultural dos cidadãos e cidadãs, que não se organizam para exercer Controle Social sobre o Estado, disputando o orçamento público e monitorando sua execução na ponta.
5) A cumplicidade do histórico do judiciário que também sopesa a influência econômica dos agentes envolvidos no conflito. Quem nos demonstra isso é a memória cidadã de José Varela que nos lembra do que aconteceu em episódio semelhante: “a queda do espigão "Real Class" levanta a tragédia do edifício "Raimundo Farias", que parecia sepultada há 30 anos nos arquivos do judiciário esquecida por detrás da cortina de propaganda imobiliária ávida de lucros e espaço "nobre" numa ilha de novos ricos promovida pela devastação da Floresta Amazônica e outras tragédias socioambientais, cercada de violência e pobreza por todos os lados”
E, outro dia conversando com o inteligente e instigante arquiteto Flávio Nassar, pró-reitor de Relações Internacionais da UFPA, ouvi atento que se em 1989 havia caído o muro de Berlin, símbolo do socialismo soviético, que serviu de objeto para semanas de reportagens e outras matérias na grande mídia, em 2008 outro muro (Wall) de mesma, ou maior importância, havia ruído em 2008 com a grande crise financeira iniciada no sub-prime americano, que também fez com que a solidez do sistema financeiro mundial desmanchasse no ar. Falava Nassar do “Muro da Rua” ou Wall Street. Só que desta vez, nossa mídia não repercutiu nem 20% do que veiculou sobre Berlin – seria mais uma vez a força dos anunciantes?





O livro “Tudo que é sólido desmancha no ar” é um ensaio sobre a aventura da modernidade segundo seu autor, Marshall Berman. Foi lançado em 1982 e, apesar do título reproduzir uma metáfora usada por Karl Marx para expressar que a sustentação do capitalismo estava justamente em vigas meramente ideológicas e simbólicas, foi amplamente utilizado, principalmente pela esquerda crítica ao modelo bolchevique do partido comunista russo, quando da queda do muro de Berlin em 1989, mesmo sendo feito de concreto e vergalhão, como símbolo do desmoronamento do império soviético. O mesmo raciocínio serve para Wall Street, como ícone do mundo capitalista, não é mesmo?
Bem,... o que estamos esperando???
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25.1.11

Crise financeira global de 2008 foi "parada dada", veja o vídeo






O filme/documentário Inside Job, de Charles Ferguson, promete revelações bombásticas sore os bastidores da Grande Crise de 2008, iniciado no sub-prime americano e que varreu o mundo todo. No Brasil, foi de fato só uma "marolinha" como profetizou Lula.

Indicado pelo amigo João Guilherme, "Inside Job", em uma livre tradução popular seria "parada dada", que ocorre quando um "de dentro" ajuda alguém a cometer um crime contra a organização em que o primeiro faz parte.

Como dizem os produtores "trata-se do primeiro fime a expor a chocante verdade por trás da crise de 2008 que provocou uma derrocada financeira global de 20 trilhões de dólares. Conta paga por milhões de trabalhadores e pequenos invetidores que perderam suas casas, suas poupanças e seus empregos e trabalhos. O filme é uma extensa pesquisa com operadores financeiros, políticos e jornalistas econômicos que revelam a ascensão de de uma indústria de vigaristas, em corrosivas relações que corromperam políticos, funcionários públicos e acadêmicos".

Estrelando:



George Soros, o mega especulador húngaro-americano que é também conhecido como o "Homem que quebrou o Banco da Inglaterra" em jogada de 1992. Jeffrey Lane, vicepresidente do Lehman Brothers, onde estourou a crise. Jonathan Alpret, psicoterapeuta de Manhatan, onde atende executivos e prostitutas de luxo. Paul Volcker, economista, chefe no Banco Central americano, mais conhecido como FED. Ocupa cargos financeiros importantes desde Carter, Reagan e agora com Obama. A narração é de Matt Damon.

Segundo Marco Aurélio Weissheimer, o documentário será lançado em fevereiro no Brasil e que ganhou o título de "Trabalho interno" em português, conta um pouco da história que Wall Street e seus agentes pelo mundo querem que seja esquecida o mais rápido possível. Os arautos das privatizações e da desregulamentação seguem soltos como se nada tivesse ocorrido. Inside Job mostra as entranhas deste mundo de cobiça, cinismo e mentira. São estes criminosos, no frigir dos ovos, que seguem dando as cartas no planeta. Preparem o estômago, abram os olhos e ouvidos e não deixem de ver esse filme.

Mais detalhes sobre Inside Job :

www.sonyclassics.com/insidejob/site/

“Se você não ficar revoltado ao final do filme, você não estava prestando atenção” (TIMES)

Veja aqui o trailler com legendas em português

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21.1.11

Lixões tem dia marcado para acabar...





O ISSAR, Instituto Saber Ser Amazônia Ribeirinha, que coordenamos, executa em Belém o projeto Cata-Ação na Terra Firme. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento local a partir da cadeia produtiva da reciclagem focado na inclusão social definitiva através do trabalho solidário, autogestionado. Esta iniciativa entra em sintonia com que expressa a inovadora Lei Nacional de Resíduos Sólidos, como se pode ver abaixo:

"Em quatro anos, no dia 3 de agosto de 2014, o Brasil estará livre dos lixões a céu aberto, presentes em quase todos os municípios brasileiros. Isso é o que define o artigo nº 54 da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), recentemente regulamentada por Decreto Presidencial, em 23 de dezembro de 2010. Também ficará proibido, a partir de 2014, colocar em aterros sanitários qualquer tipo de resíduo que seja passível de reciclagem ou reutilização.
Isso significa que os municípios brasileiros, para se adequar a nova legislação, terão que criar leis municipais para a implantação da coleta seletiva.
Uma outra data definida na regulamentação da PNRS é quanto à elaboração do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Pela regulamentação, a União, por meio do Ministério do Meio Ambiente, tem 180 dias de prazo, a contar da publicação do Decreto, para elaborar a proposta preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, com vigência por prazo indeterminado e horizonte de 20 anos, devendo ser atualizado a cada quatro. A proposta do plano será submetida à consulta pública, pelo prazo mínimo de 60 dias.
Em sua versão preliminar, o Plano de Resíduos Sólidos vai definir metas, programas e ações para todos os resíduos sólidos. Para sua construção, a ser coordenada por um comitê interministerial, será utilizada a experiência e estudos sobre resíduos sólidos já acumulados em 18 estados da Federação.
O Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos, será coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e composto por nove ministérios mais a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
Logística reversa - De acordo com o texto do Decreto, logística reversa é o instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado pelo conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.
A regulamentação definiu como se dará a responsabilidade compartilhada no tratamento de seis tipos de resíduos e determinou a criação de um comitê orientador para tratar destes casos específicos. São eles: pneus; pilhas e baterias; embalagens de agrotóxicos e óleos lubrificantes além das lâmpadas fluorescentes e dos eletroeletrônicos. O comitê orientador vai também definir cronograma de logística reversa para um outro conjunto de resíduos que inclui as embalagens e produtos que provoquem impacto ambiental e na saúde pública.
Os instrumentos para operar os sistemas de logística reversa são: acordos setoriais; regulamentos expedidos pelo Poder Público; ou termos de compromisso.
O Secretário de Recursos Hídricos de Ambiente Urbano (SRHU) do MMA, Silvano Silvério, explica que pela nova lei, o cidadão passa a ser obrigado a fazer a devolução dos resíduos sólidos no local, a ser previamente definido pelo acordo setorial e referendado em regulamento, podendo ser onde ele comprou ou no posto de distribuição. Segundo ele, a forma como se dará essa devolução, dentro de cada cadeia produtiva, será definida por um comitê orientador, a ser instalado ainda no primeiro semestre de 2011.
Atualmente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece, por meio de Resolução, os procedimentos para o descarte ambientalmente correto de quatro grupos de resíduos. São eles: pneus(Resolução 416/2009); pilhas e baterias (Resolução 401/2008); óleos lubrificantes (Resolução 362/2005); e embalagens de agrotóxicos (Lei nº 7.802/1989). Os acordos setoriais ou os termos de compromisso servirão para revalidar ou refazer os que está definido nas resoluções e leis em vigor.
Embalagens - A novidade que a regulamentação traz é a obrigatoriedade da logística reversa para embalagens. O secretário explica que é possível aplicar o procedimento para todo o tipo de embalagem que entulham os lixões atualmente, inclusive embalagens de bebidas. Ele relata, inclusive, que o Ministério do Meio Ambiente já foi formalmente procurado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) para informar que estão aptos a fazer a coleta de óleos lubrificantes. O MMA foi também procurado pela Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro) que demonstrou interesse em implantar a logística reversa em embalagens de vidro.
Segundo ele, existem duas formas de se fazer a logística reversa para embalagens. Uma, de iniciativa do setor empresarial, que pode instituir o procedimento para uma determinada cadeia. A outra, de iniciativa do Poder Público. Neste caso, o primeiro passo é a publicação de edital, onde o comitê orientador dá início ao processo de acordo setorial. No edital estarão fixados o prazo, as metas e a metodologia para elaboração de estudos de impacto econômico e social.
Os acordos setoriais são atos de natureza contratual firmados entre o Poder Público e os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes visando à implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.
Depois de definidas as bases do acordo setorial, os setores envolvidos no processo de logística reversa definem como pretendem fazê-lo. A proposta é levada ao Governo Federal para análise. Estando em acordo ao que estabelece o edital, a proposta é acolhida e homologada via Comitê Orientador. A partir de então, o processo de logística reversa começa a ser implementado. O Governo Federal pode transformar o acordo em regra nacional por meio de regulamento.
O processo vale para os eletroeletrônicos. A partir do momento em que o Comitê Orientador definir o processo de logística reversa, ficará determinado onde o cidadão deve devolver seu resíduo. Silvano Silvério informa que o comitê orientador estabelecerá, por edital, o início dos acordos setoriais.
Catadores - A regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) dá atenção especial aos catadores de materiais recicláveis. Está definido, por exemplo, que o sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos e a logística reversa priorizarão a participação de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis constituídas por pessoas físicas de baixa renda.
Determina também que os planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos definam programas e ações para a participação dos grupos interessados, em especial das cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis também constituídas por pessoas físicas de baixa renda.
Diretrizes - A Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em agosto de 2010, contém as diretrizes para a gestão, o gerenciamento e o manejo dos resíduos sólidos. Ela também incentiva os fabricantes a adotar procedimentos adequados à produção de produtos não agressivos ao ambiente e à saúde humana e à destinação final correta dos rejeitos da produção.
Sua aprovação representou um amplo consenso envolvendo todos os atores que fazem parte dos mais diversos ciclos da produção de resíduos sólidos no Brasil.
Ela trata de temas amplos e variados que fazem parte do dia-a-dia das pessoas, envolvendo conceitos como área contaminada, ciclo de vida do produto, coleta seletiva, controle social, destinação final ambientalmente adequada, gerenciamento de resíduos, gestão integrada, reciclagem, rejeitos, responsabilidade compartilhada e reutilização.
A nova política é clara em definir de que forma se dará o gerenciamento dos resíduos, indicando inclusive sua ordem de prioridade que será a de não-geração, a de redução, reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos. A nova política cria também um sistema nacional integrado de informações sobre resíduos sólidos. O sistema será responsável por recolher e divulgar informações com rapidez e qualidade".

ASCOM /MMA
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18.1.11

Erradicação da miséria, proposição ousada - PAUL SINGER






A erradicação da miséria exigirá tamanho empenho da sociedade e do governo que só a mobilização total de suas forças a tornará realidade

Não sei de qualquer governo nacional que tenha se proposto a erradicar a miséria de seu país em quatro anos de mandato. Ainda assim, nossa presidente Dilma Rousseff apresenta essa meta como a fundamental do seu governo.
Apesar de inédita, não lhe falta credibilidade, dado que o seu antecessor alcançou redução surpreendente da miséria em seus dois mandatos. Seja como for, a erradicação da miséria exigirá tal empenho da sociedade e do governo que só uma mobilização total de suas melhores forças a tornará realidade.
Miséria é pobreza tão extrema que suas vítimas frequentemente não sabem quando e nem de onde virá sua próxima refeição; moram ao relento, pois não têm trabalho e nem renda regular.
Vivem sujeitos ao acaso, como diz o povo, "ao Deus dará". Erradicar a miséria só pode significar transformar a vida dessas pessoas.
Não bastará lhes dar dinheiro para que possam adquirir ao menos o essencial à sobrevivência. Para que possam mudar de vida, será preciso que se convençam de que são capazes de se unir e juntos alcançar pelo trabalho padrões normais de vida.
A maioria dos muito pobres vive em comunidades situadas em bolsões de pobreza, e sua sobrevivência se deve em boa medida porque se ajudam mutuamente.
Esse é um instinto humano, que pode ser observado em ação em qualquer situação catastrófica: enchentes, terremotos ou incêndios.
A vida dos miseráveis é desastrosa: quase sempre correm perigo de perecer, do qual são salvos, às vezes, por uma mão amiga, que não raramente é a de outro miserável que o necessitado de hoje pode ter ajudado antes. Deixar a miséria pode representar, para a pessoa, abandonar uma normalidade cruel, mas à qual se acostumou, e se separar de companheiros de sina com os quais se sente protegido.
Para ele, a questão crucial pode ser: que alternativa de vida os que querem erradicar a miséria lhe oferecem? Possivelmente muitos dos que agora são miseráveis nem sempre o foram, mas por diversas circunstâncias perderam tudo.
Os que em consequência enlouqueceram ou ficaram dependentes de álcool ou drogas talvez não queiram voltar à vida que já tiveram, porque a perda dela lhes foi demasiado traumática.
Erradicar a miséria, do ponto de vista de seus beneficiários, é mudar profundamente suas vidas.
Para que aconteça, é indispensável que os seus beneficiários também sejam seus sujeitos, e não meros objetos; que eles possam optar por projetos que lhes exigirão empenho para conquistar um padrão normal de vida não apenas para si, mas possivelmente para uma família e uma prole.
Para tanto, será preciso que participem da elaboração dos novos projetos de vida e que recebam os recursos essenciais para realizá-lo.
Nos últimos sete anos, nós da Secretaria Nacional de Economia Solidária participamos diretamente de programas que permitiram ao governo Lula erradicar parte da miséria brasileira: o Fome Zero, a transformação de moradores de rua em recicladores de lixo organizados em cooperativas, de egressos de manicômios e penitenciárias em membros de cooperativas sociais, de trabalhadores sem terra em camponeses assentados, além de muitas outras comunidades socialmente excluídas.
Aprendemos que erradicar a pobreza é possível e, se assim o é, se torna eticamente necessário. E que serão os pobres que se redimirão, é claro que com o auxílio dos poderes públicos e dos movimentos sociais.
________________________________________
PAUL SINGER, 78, é secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi secretário municipal do Planejamento de São Paulo (gestão Luiza Erundina).
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17.1.11

O Silêncio dos Inocentes





A medida em que as manifestações sobre o debate avaliativo sobre o PT no Pará, avança, crescem também as ressalvas que fazem em torno de um debate amplo, aberto e transparente.

A principal argumentação é a de que nenhum outro partido abre suas avaliações porque “o segredo é a alma do negócio”. Logo se só o PT se expor à sociedade, ficará fragilizado. Mas, que “segredo”?, de que “negócio” estão falando? Da política? Mas não deveria ser a política a arte do interesse público?

Um dia eu também acreditei nisso, que não poderíamos abrir o debate crítico sobre nossa prática política à sociedade porque a burguesia e suas elites poderiam aproveitar e fazer luta política para nos derrotar.

1) Derrotar a nós quem, cara pálida? Porque a prática política majoritária hoje não representa o partido no qual me filiei e pretendo continuar construindo, é só ver o que está escrito em nossos documentos de fundação e comparar com que é feito hoje. Além disso, as recentes derrotas que o PT vem colecionando não são obra dos adversários mais do que das atitudes que passamos admitir entre nós.

2) O internismo do debate sempre serviu para silenciar os militantes “pequenos” porque os “graúdos” sempre manifestaram abertamente suas posições ao seu bel prazer e interesses, nem sempre confessáveis. Isto porque sabem que, na verdade, a disputa interna é subordinada pela disputa na sociedade.

3) Estrategicamente, como gramisciano, entendo que as instituições fluem e se modificam a mercê das dinâmicas da sociedade, portanto a tendência “de dentro” é sempre a de conservar a cultura estabelecida e o status quo, exatamente no que pretendemos abalar na instituição PT. Ou seja, se pretendemos mudanças internas elas virão de fora, da sociedade. Enquanto agir como hoje age, parte importante do PT, render mais votos que a conduta ética e coerente ideologicamente com o programa do partido, internamente continuaremos também com a hegemonia daqueles.

4) Como republicano, do ponto de vista político, entendo que toda política deve ser pública para ser boa política. O debate público sobre os rumos do PT vai enfraquecer os que baixam o nível com a “fulanização” para pressionar, não para mudar as coisas, mas apenas para barganhar mais espaços na mesma lógica dada hoje. Tivemos vários momentos de debate público, inclusive com “fulanização” e tudo mais, como no início do governo Edmilson e, a nível nacional, com o Mensalão, sem que mergulhássemos em derrotas sucessivas. Ao contrário, foi exatamente a demonstração de vitalidade, dado pelo debate aberto, que nos recuperou diante da sociedade.

5) Não acho que fazer o “debate público” possa se confundir com ingenuidade. Ingenuidade é não perceber que por trás da suposta idéia de “proteger o Partido”, segundo os que defendem o internismo, está a proteção de seus próprios interesses e status.

6) Acho enfim que fazer o debate publicamente, nos termos em que nos manifestamos, contribui para a construção de uma nova cultura política na sociedade, a da Transparência. E, além disso, reforça o PT que queremos construir, aberto ao Controle Social, capaz de refletir com responsabilidade seus equívocos e, com isso, capaz de se recriar dialeticamente renovando permanentemente seus laços com a sociedade
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8.1.11

Repercussão do post “Pra quem não tem medo de ser feliz”





A seguir, das 28 manifestações que recebi, apresento apenas as que me autorizaram postar o conteúdo.

Por Rafael Teodoro

Da leitura do texto “Pra quem não tem medo de ser feliz”, destaco a seguinte passagem: "Portanto, o primeiro passo é aceitar que a derrota eleitoral não é só uma derrota política, como a que produziu uma aliança formal gigante e uma força política nanica. Esta é a derrota de um modelo de gestão política, que apartou a militância da elaboração político-estratégica, que reduziu as tendências em estruturas famintas apenas por cargos, que nos tirou do diálogo aberto com a sociedade sobre o modelo de desenvolvimento para nos colocar nas manchetes tristes dos jornais das elites."
Caro prof. Arroyo, impossível não o felicitar por essa análise. Creio que expressa exatamente o que sinto em relação à derrota (vergonhosa, frise-se) do Governo Ana Júlia nas urnas. O título de única governadora da base de apoio do presidente Lula a não se reeleger só revela a extrema incompetência com que o Governo estadual petista não soube conduzir políticas públicas, ou, quando existentes, fracassou em divulgá-las.
Infelizmente a lógica sectária de tendências predominou, tanto que a observação de "faminto por cargos" revela o quebra-pau que todos vimos em troca de um DAS, muita vez na "peixada", colocando "os seus", os "chegados", sem qualquer compromisso com as pautas da esquerda.
O PT não pode cometer o erro do maniqueísmo das tendências, que só afastam, como bem observaste, nobre professor, quadros experientes, éticos, dedicados, comprometidos com as pautas populares.
Eu mesmo sempre quis me filiar ao PT e participar mais ativamente da vida do partido. Mas desde a época do CA, quando alguns companheiros petistas tentaram me centralizar por tendência, sem dialogarem comigo, eu rejeitei essa prática antidialógica e nunca me filiei. Quem sabe agora contigo na direção do partido isso mude.


BLOCO DA ESQUERDA PETISTA PARAENSE, POR UM PARTIDO MILITANTE, DEMOCRÁTICO, DE MASSAS E SOCIALISTA!

O que ocorreu no primeiro turno refletiu também um problema político-sociológico: a ascensão material das camadas populares, proporcionada pelo governo Lula, não foi acompanhada de politização equivalente, motivo pelo qual a influência ideológica da direita, da mídia, das igrejas, das teologias da prosperidade e similares continua imensa.
Refletiu, também, uma indisposição de setores médios contra nosso governo e contra nosso Partido, cujas raízes materiais estão na política que eleva a vida dos pobres, sem tocar no ganho dos ricos. E cujas raízes ideológicas estão no conservadorismo que é historicamente hegemônico nos setores médios.

As derrotas do PT em Belém, em 2004 e 2008, e a derrota das candidaturas de Ana Júlia e de Paulo Rocha em 2010, e a vitória de Serra em Belém e em importantes municípios administrados pelo PT, têm que fazer refletir ao conjunto do partido das causas externas e internas que foram as determinantes dessas derrotas, ainda que conseguimos ampliar o número de deputados federais (3 para 4) e deputados estaduais (6 para 8), ainda que essa ampliação fosse lograda, em parte, a um custo ético e político muito grave.
A nós petistas nos corresponde realizar uma avaliação aprofundada dos avanços, das dificuldades e dos erros cometidos pelo nosso governo e pela direção estadual do partido desde 2007, entre os quais destacamos: a) não apuração das falcatruas realizadas pelos governos neoliberais do PSDB-DEM; b) tentar sustentar o governo através do tradicional “troca-troca fisiológico” na Assembléia Legislativa com os partidos conservadores, abrindo mão da governabilidade de “novo tipo”, através da mobilização e apóio social na defesa dos projetos estratégicos e estruturantes do governo, baseado na participação e controle popular. Isto é, acumulando forças para uma nova hegemonia orientada nos ideais progressistas e socialistas.
Essa situação se agravou na maioria de municípios paraenses PT quando a Casa Civil manteve ou nomeio para cargos importantes do governo a muitos dos nossos tradicionais adversários políticos, sem fazer qualquer consulta aos nossos filiados e dirigentes municipais e desrespeitando as decisões locais do partido. Ou seja, um completo e insustentável desrespeito com companheiros e companheiras que ajudaram a construir e fortalecer o PT como principal partido da esquerda no país e no Pará e a nossa vitória eleitoral em 2006.
Consideramos, contudo, que o problema principal da nossa derrota foi a falta de orientação estratégia do governo liderado por Ana Júlia e a cúpula da DS para tentar imprimir uma feição democrático-popular ao governo estadual, fazendo apenas tímidas mudanças para reverter a situação de extrema miséria em que vivem boa parte da população paraense e escassas melhoras na saúde e na educação pública.
Outro grave problema foi o tratamento dispensado pelo comando do governo (a “cúpula da DS”) às outras forças do PT, inclusive a membros ou ex-membros da sua tendência, e aos grupos da esquerda petista, tratando-nos quase como inimigos, não atendendo, não conversando, não cumprindo acordos ou tentando “comprar” os nossos militantes e agrupamentos oferecendo “empregos” no governo. Talvez um dos exemplos mais grave fosse o uso de recursos políticos (e outros...) do governo estadual por parte da cúpula da DS para apoiar a Duciomar contra a candidatura do petista Mário Cardoso à Prefeitura de Belém, e no segundo turno, para tentar “liquidar” a Priante (PMDB).

Não se preocuparam em ganhar à maioria da população para que sentisse se identificada num governo democrático-popular, que longe dessa meta, se transformou num governo anti-popular. Tentaram reprimir aos movimentos sociais e sindicatos mais ativos, Sintepp, mandaram prender lideranças do MST, esperando a aceitação da classe dominante paraense, que como sempre, prefere ser governada diretamente pelos seus representantes e não por mediadores da “classe média esclarecida”.

Para enfrentar a direita na sociedade a Câmara e Senado, no Governo estadual e na Assembléia Legislativa Paraenses e, é preciso unidade da esquerda, ou seja, das forças democrático-populares e socialistas: partidos, movimentos sociais e intelectualidade democrática. A unidade das esquerdas é essencial, ademais, para garantir que o governo Dilma seja hegemonizado pelas forças comprometidas com um desenvolvimento democrático e popular. A ala esquerda da coligação governista também deve impulsionar a luta por reformas estruturais, articulando isto com nossa luta pelo socialismo.

O PT sai do processo eleitoral nacionalmente fortalecido e enfraquecido no Pará. Contudo as nossas debilidades ideológicas, programáticas, políticas e organizativas ficaram mais uma vez evidenciadas em todo o país. As debilidades do PT possuem diversas causas, entre as quais se destaca a legislação eleitoral, que privilegia as carreiras individuais e o financiamento privado de campanhas. Um dos subprodutos disto é o fortalecimento, no interior do Partido, do social-liberalismo e do pragmatismo.
Outra das debilidades do PT é mais profunda e precisa ser dita com todas as letras: o PT corre o risco de transformar-se num partido de centro-esquerda tradicional, convencional, integrado ao establishment, atravessado pelo fisiologismo e pelo pragmatismo, afetado pela corrupção sistêmica.
Fomos nos acomodando por exemplo à prática das carreiras políticas individuais e ao sistema de financiamento privado das campanhas eleitorais. A tal ponto que muitas de nossas campanhas terceirizaram a militância, com a contratação de cabos eleitorais, havendo também acusações de que mesmo petistas “compram” votos. O resultado é o exacerbamento de todos os defeitos e vícios da democracia eleitoral burguesa.

Por tudo o que foi dito antes, a reforma política, especialmente o financiamento público e o voto em lista, não constitui um detalhe: é também uma condição de sobrevivência para o PT como partido democrático, de massas, popular e socialista.


João Guilherme

Caro Arroyo,

Parabéns pela lucidez das colocações, infelizmente a falta de dialogo e oportunidade de expressão principalmente pelas pessoas de baixa renda produzem "lideranças" motivadas mas por seus interesses pessoais deixando apenas para o discursos os interesses coletivos. Nestes dois anos e meio como servidor do Estado vários momento foram decepcionantes enquanto simpatizante de uma proposta de gestão participativa, as intervenções ditatoriais nunca me foram atraentes e vê-las presente em uma governo popular foi decepcionante, mesmo assim, acredito que a força popular seja uma estratégia fantástica de transformação social, esta foi mais uma experiencias para conhecer verdadeiras lideranças comprometidas com causas coletivas que possam superar as mazelas sociais existentes em nossa sociedade.
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3.1.11

Pra quem não tem medo de ser feliz!




(Contribuição à Avaliação PT 2010, aberta pelo Diretório Estadual junto aos militantes do Partido dos Trabalhadores)

O PT é um fenômeno democrático-popular sem precedentes, no Brasil e no mundo. O processo de profunda reestruturação que a sociedade brasileira embarcou após o período da Ditadura Militar, desde os anos 80, passou, e passa ainda, pelo PT.

Primeiro, principalmente como força de elaboração e articulação estratégica de forças sociais e políticas capazes de disputar a agenda política, polarizando lideranças dos movimentos sociais que passaram a dar uma dimensão mais transformadora às suas reivindicações cotidianas.

Em um segundo momento, principalmente como via de vazão de anseios por uma sociedade democrática, ganhando parcelas cada vez maiores da sociedade desde a promoção da transgressão da passeata e da greve, passando pela conquista da agenda de gênero, raça, sexualidade e meio ambiente, até a conquista da autonomia eleitoral pelos setores médios e populares, cravada em 2006, diante das elites e seus porta-vozes da grande mídia.

E, mais recentemente, principalmente como exercício efetivo do poder de governo na construção de um novo modelo de desenvolvimento que aponta para a desconcentração da renda e a inclusão social – que não se limita apenas à questão da renda, mas sobretudo da educação e da cultura para enfim propiciar o efetivo exercício de direitos como saúde, saneamento, moradia etc.

Mas até quando passará pelo PT, a história do Brasil moderno que se escreve, e por que?

O núcleo de elaboração estratégica desta história já não está mais no PT, está no governo. E, a referência não é o programa do PT mas o da aliança de projetos de desenvolvimento capazes de reunir as condições necessárias para sua efetivação, como exercício de poder, o que se coloca para bem além do marco partidário como um todo da coligação, não só do PT.

Vale ressaltar que neste processo, mais uma vez a cultura política petista, mais do que o partido, tem sido importante para um exercício de Estado onde as políticas Públicas ganham um grau expressivo de legitimidade o que, por si só já serve para um importante fortalecimento da democracia enquanto instituição e enquanto cultura política da nação.

O surgimento da questão do Ficha-Limpa na agenda política e social por fora do parlamento e da grande mídia é uma demonstração das possibilidades que este momento novo do Brasil oferece. É um elemento de exercício efetivo de democracia direta, participativa, que fazia parte do repertório do PT, quando propunha o Orçamento Participativo, que hoje volta à cena por fora do PT, enquanto partido.

O dramático é que na lógica do cotidiano da política a Lei do Ficha-Limpa foi um divisor de águas dentro do PT. Inúmeros são os militantes petistas que assinaram a petição e defendem a Lei como conquista para uma cultura democrática elevada acima de interesses do momento. Enquanto, ao mesmo tempo, não foram desprezíveis as manifestações de petistas que ocupam posições importantes dadas pelo partido, contra o todo ou parte da Lei do Ficha-Limpa.

Esta ambigüidade referida acima, está assentada no descolamento entre ética e a prática política no partido que defende a ética na política. Esta é a marca do dilema petista que vivemos já há algum tempo e que ainda não foi devidamente tratado, mas que se apresenta cada vez mais como incontornável. O dilema de subordinar a estratégia(o como fazer) à ética(o que se deve fazer) ou à política (o que se pode fazer).

Claro que o dilema se resolve no equilíbrio – como construir as condições para se poder fazer aquilo que tem que ser feito. Mas isto exige esforços de elaboração, criatividade e inovação, sem o que o dilema continua.

Outra macro expressão deste dilema, reflete em parte o vazio deixado pelo deslocamento do núcleo de elaboração estratégica que deixou o ambiente partidário para ocupar e se adequar, obviamente, ao espaço de governo.

O vazio a que nos referimos é exatamente o do debate e elaboração estratégica que relegou o partido ao papel de mera ferramenta instrumental no jogo das alianças entre projetos de desenvolvimento que operam no âmbito do governo, que já mencionamos. Ao mesmo tempo, revelando uma clara concepção de exercício centralizado de poder.

A ausência do debate estratégico no PT que exigia a expressão de valores ideológicos e um mínimo de coerência prática, foi levando algumas lideranças para o gueto da reles luta pela sobrevivência política que, em alguns casos emblemáticos, os agigantou eleitoralmente e os apequenou moralmente.

Como nada convence mais do que o exemplo, este comportamento não refletido, não assumido, não expressado, foi silenciosa e disfarçadamente se somando à cultura política patrimonialista da sociedade, que a tudo atribui preço em dinheiro, e foi adotado por parcelas importantes de militantes e novos militantes atraídos pelas condições que a ocupação do poder público proporciona.

Mas ledo engano supor que este processo se dá por causa da presença no espaço público, fatos isolados mas significativos são registrados bem antes, na gestão de sindicatos, entidades populares etc. Por outro lado, são inúmeros e amplamente majoritários os exemplos dos petistas que não mudaram a sua conduta moral ocupando espaços públicos de relevo. Mas aquilo que é exceção pode virar regra se não tratarmos devidamente.

E assim, o dilema que vivemos passou a dividir o foco dos petistas entre aquilo que podemos construir como parte da estratégia da construção da sociedade que almejamos e aquilo que se pode auferir como ganho imediato, de caráter político e/ou econômico, coletiva ou pessoalmente.

Esta perda de foco pulverizou nossos esforços políticos em diversas frentes sendo a de maior impacto e peso a de governo.

O PT no governo do Pará

Conquistamos a opção eleitoral da maioria dos paraenses em 2006, quando a aliança neoliberal liderada partidariamente pelo PSDB não conseguia mais esconder dos setores médios e populares a sua incapacidade em dar respostas efetivas, mesmo com o poder comunicativo que dispunha.

Além disso, a vacilação do PMDB em apresentar-se à sociedade com face própria, proporcionou à candidatura petista um apoio determinante para a vitória nas urnas.

Somou-se ainda uma conjuntura nacional onde o eleitorado, pela primeira vez, mostrou-se firmemente independente da opinião, das elites, publicada nos jornais e telejornais de encomenda. E, mesmo depois de um massacre na mídia o projeto petista crescia no eleitorado médio e popular que passou a perceber o avanço que o modelo de desenvolvimento em implantação trazia para a sociedade, mesmo sendo crítico ao episódio do “mensalão”.

Este sentimento nacional se expressou no Pará, onde também se somou à lembrança positiva da experiência do governo petista na prefeitura de Belém. Compondo um somatório de processos que desautoriza qualquer conclusão simplista visando conferir glórias a um ou outro fator.

A relação PT X Governo, no Pará, reproduziu a fórmula nacional que além da natural apartação política, institucional e operacional também separa o sentido e função do partido da elaboração estratégica do desenvolvimento da sociedade que assim, acontece apenas no espaço de governo submetida a uma lógica de forças econômicas, institucionais e jurídicas específicas.

No Pará, esta concentração da elaboração estratégica nos espaços mais restritos do governo alijou quadros experientes técnica e politicamente empobrecendo principalmente o potencial de realização estratégica em áreas cruciais como educação, saúde e infraestrutura, por exemplo.

Vale frisar que, do ponto de vista teórico, o plano de governo era de alto nível, potencialmente capaz de responder aos grandes gargalos do desenvolvimento do estado, somando na perspectiva da promoção da cidadania participativa.

No entanto, mais uma vez, o partido ficou quieto “para não causar problemas” e, mesmo no governo, a elaboração estratégica se impunha por força da institucionalidade sem se construir como pacto político efetivo entre as forças vivas que o compunham.

Os condôminos do governo, mesmo os petistas, passaram a trabalhar sem uma unidade estratégica construída, vivendo do dia-a-dia, sem uma provocação estratégica capaz de mobilizá-los, nem nas áreas fundamentais.

Mas, de volta ao dilema, é preciso frisar que a ausência da motivação estratégica é produto da cultura do não-debater, do não-refletir, do não-pensar que foi domando o mundo petista, aliás, construído em sua origem sobre o dever de questionar. E, sem este combustível, a inteligência e a criatividade foi sendo preterida em favor da obediência.

Mesmo assim, nesta colcha de retalhos, importantes saldos merecem destaque para que jamais esqueçamos que, no conjunto da obra, potencialmente, somos nós os que possuímos condições de responder estruturalmente a construção de uma sociedade amazônida moderna.

O “projeto” sintetizado pelos Parques Tecnológicos e a reconstrução do Idesp, o avanço de concepção e técnica no trato com a crucial questão territorial e a abertura na relação com os movimentos sociais merecem um acompanhamento cidadão, um exercício vivo de Controle Social para que não tenhamos retrocessos.

Portanto, o primeiro passo é aceitar que a derrota eleitoral não é só uma derrota política, como a que produziu uma aliança formal gigante e uma força política nanica. Esta é a derrota de um modelo de gestão política, que apartou a militância da elaboração político-estratégica, que reduziu as tendências em estruturas famintas apenas por cargos, que nos tirou do diálogo aberto com a sociedade sobre o modelo de desenvolvimento para nos colocar nas manchetes tristes dos jornais das elites.

Este pode ser o primeiro passo para a grande vitória de conquistarmos, não apenas governos, mas sobretudo a sociedade, a partir de nosso exemplo prático, para a construção de uma sociedade baseada na solidariedade e na autonomia do Controle Cidadão sobre o Estado.

Que venha 2012.

João Claudio Arroyo,
membro do DE PT-PA
janeiro de 2011
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